jukebox

poucas coisas no mundo
podem ser mais tristes
do que nina simone
cantando don’t you pay them no mind
quem sabe, talvez, um quarto vazio
os pulsos cortados
a falta de jeito para falar em orquídeas
radioterapia síndrome do pânico
ou crepúsculos derrotados no outono
(People laugh
each time they see us walking by
and their whispering just make
You feel like you wanna cry)
poucas coisas no mundo
podem ser mais tristes
do que a música
que a gente assobia madrugada adentro
esperando o primeiro ônibus
para lugar nenhum
uma velha ruína
um tipo secreto de esquecimento
quem sabe, talvez, uma mulher sem nome
um desejo sem rosto ou destino
uma alegria de porre
um sonho desbotado no fundo dos olhos
a vida suspensa
entre o dedo e o gatilho
(A world all our own, keep on then,
keep on holdin on to me,
they'll learn in Time.
i really love you, so don't you pay em' no mind)
poucas coisas
mais tristes lentas desiludidas
do que as coisas
as palavras em desalinho
essa poesia impossível
por trás de cada passo em falso
e a infelicidade quase que é uma outra maneira
de ser angustiadamente feliz
poucas coisas mais tristes
do que os sonhos borrados pela manhã...
bem, talvez um cego,
sentado sozinho,
num banco distante
de uma praia de nudismo
mas isso, com certeza,
a associação de cegos
não gosta de comentar
Escrito por Márcio Scheel às 20h44
[]
[envie esta mensagem]
[link]
[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
|